quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Missiva

São Paulo, Brasil

Caro Edward Louis Severson III,

escrevo aqui a carta que sempre tive vontade de escrever para vocês. Curiosamente, eu que escrevo tanto, gosto tanto de cartas e não tenho maiores problemas em escrever em inglês, nunca o fiz. Falta de tempo, falta de um endereço... ou talvez simplesmente o medo de não ter uma resposta, e com isso ficar um tanto quanto desiludido. Coisa de fã.

Sabe, nem sei bem por onde começar, e acho que vai ser pelo fim. Esses dias eu tive uma felicidade enorme, quase sem tamanho, pra falar a verdade, e foi simples. "Redescobri" vocês, como que pela primeira vez, como uma criança que ganha brinquedo novo, sabe? Aquela coisa de "Meu Deus, como isso é bom!", mas com consciência, com o gostinho do novo de novo. Tanto que, desde então, só não tive a chance de ouvir de cabo a rabo dois discos, "Binaural" e "Riot Act". Mas o meu xodó... ah, o maravilhoso "Live On Two Legs", meu primeiro e favorito disco, esse já foi devorado, como já o fizera tantas vezes ao longo dos anos, desde 1999, ano em que os decobri de fato.

Curioso como toda uma geração no Brasil (e no mundo, eu diria) foi levada pelo Guns n' Roses, ou pelo Nirvana, enquanto que vocês fizeram seu barulho e, apesar de eu quase ter pertencido à primeira turma, só terem me "batido" coisa de quase 10 anos depois de lançarem o disco que para muitos é o que vocês fizeram de melhor. Não pra mim, infelizmente, apesar de "Even Flow" e "Black", por exemplo. O que me cativou, logo à primeira ouvida, foi o "Vs", disco que tem a música que digo com segurança: é minha favorita. Foi a primeira, e isso mesmo tendo visto o clipe de "Do The Evolution" em 1998 mesmo (aliás, sabia que fiz um trabalho final de comunicação, sobre Comunicação de Massa e o clipe? Me valeu um 10 redondíssimo!). Mas o fato foi que vocês vieram, fizeram as apresentações, e ficaram. Por isso, eu agradeço. Explico.

Confesso que na época eu estava indo pelo caminho sem volta do "Gosto de tudo um pouco", até mesmo ouvindo coisas de BSB pra baixo e cantando, mesmo um pagode ou outro. Mas conto isso não com vergonha, mas sim com um sentimento de gratidão a vocês e ao Rodrigo Duente, que me emprestou o tal disco que fez a diferença. A partir daí, comecei a mudar os gostos, e isso foi um processo complicado que teve a ajuda de dois grandes amigos, Marcos e Juliana (Berdz), já que meus pais ouvem de tudo e uma boa parte dos meus amigos também. Hoje, se entendo alguma coisa de música e posso dizer que tenho bom gosto, devo isso demais a vocês, que me deram a mão e mostraram por onde ir. Curiosamente, aliás, a imagem por trás do disco é de uma mão. E sim, eu sei que o disco se chamaria "5 Against One". Não ligo.

Sabe, quando comecei a ouvir vocês pra valer e correr atrás dos discos antigos, já que até então tinha apenas o ao vivo e "Vs", passei a ler sobre vocês, a briga com a Ticketmaster e ver clipes, mas o engraçado era entrar numa sala de bate-papo com seu nome, noite após noite. Me divertia horrores.

Mas, voltando ao começo, ou seja, o fim, fico grato. Hoje tive um dia de overdose, vi todos os clipes e apresentações que consegui, revi meu "Single Video Theory" (meu único DVD de música, presente da Thelma) e percebi que vem desde o último álbum, que me fez sentar e os ouvir novamente, sem pensar em como o que tinha sido feito antes era melhor. "Wasted Life" e "Worldwide Suicide" entraram para as favoritas, que caberiam em alguns Top 5 e sem ordem, porque pérolas como "Given To Fly" ou mesmo "Smile" não podem ser colocadas em ordem. Não dá. Nem mesmo para músicas "só" legais como "Love Boat Captain". Poderia ir nessa lista por horas a fio, e ainda assim mudar a ordem até desistir, e não é por isso que escrevo.

Escrevo em agradecimento, pura e simplesmente. Agradecimento por fazerem dos meus dias experiências melhores, por falarem "por mim", por me deixarem emocionado, por me mostrarem qu eu consigo, sim, realizar sonhos por conta própria, por me levarem à Europa, por simplesmente estarem aí por mim e para mim, mesmo sem saber e com tantos desencontros. Chorei, e como, ao ouvir "Elderly Woman Behind The Counter In a Small Town" ao vivo na Bélgica, mas foi um choro bom, lavou a alma, ainda que algumas coisas posteriores, que ainda precisam de definições melhores do que "tristes", quase tenham colocado em cheque toda essa fanhood, se é que tal palavra existe. Agradeço também por mostrarem ao mundo que existem americanos conscientes do que se passa nos EUA, coisa rara de se achar.

E, se posso fazer um pedido, é para que voltem logo ao Brasil. Poucas coisas poderiam me fazer tão feliz quanto vê-los na minha terra que tanto amo e que tanto gosta de vocês. Mas o tempo vai cuidar disso, e tenho certeza que ele nos será favorável a todos, já que a mim foi e muito. Digo isso com um sorriso no rosto, mesmo tendo esperado 7 anos desde a minha primeira chance perdida.

Eddie Vedder e Pearl Jam, obrigado.

Do amigo e fã,

Paulo Tiago Sulino Muliterno

* * *

- Glad to have you back, Paulo.

As seis palavras que me bastariam. Só.

3 comentários:

Bruna disse...

Menino... que tiete... rss!

É muito bom mesmo redescobrir as bandas queridas, melhor até do que descobrir bandas novas na minha opinião, dizem que não se troca amor velho por amor novo... mas vá saber! As vezes os gostos mudam, mas sempre fica um carinho especial por aqueles que foram importantes. Eu redescubro Queen de vez em quando, e é sempre muito bom =) o melhor é quando se percebe que tempo vai, tempo vem, e aquela banda ainda é única! And soooo good!

Bjins!

Garfs disse...

Eu viiiii, voce nao viiiii uuuu... e eu nem gostoooo

Dani disse...

Feliz por ter feito, mesmo que de alguma forma, mesmo faltando um tanto de coisas, as pazes com eles.