quinta-feira, 19 de março de 2009

Relativamente Falando

"Just need to get closer, closer
Lean on me now
Lean on me now
Closer, closer"

-- a letra é simples e acerta em cheio. Closer, do Travis.

* * *

Gozada a minha escolha de epígrafe, até porque... bom, do começo. Eu sou professor de inglês, mas não gostos exatamente disso. Quer dizer, gosto, mas tem lá suas coisas chatas, e uma delas é justamente ensinar comparativos e superlativos. E closer ('mais perto', just for the records) é um caso daquele, um porre pra ensinar, por ser relativamente simples e ainda assim ter gente que consegue fazer confusão. Paciência, né teacher? É, e ainda ontem eu vi isso acontecer.

Mas, ao mesmo tempo, é mega importante ensinar isso, e seria até bom se desse pra tanto professor quanto alunos pararem no meio da aula e pensarem sobre especialmente as comparações. Entre o Nilo e o Amazonas, entre Nick e Bob, entre o Brasil e os EUA? Não, entre a gente mesmo, e as que fazemos dos outros, mas não pela altura, pela idade ou qualquer outro atributo físico, ou mesmo emocional. É uma comparação de impacto subjetivo, digamos. Impacto que elas têm na nossa cabeça, no nosso coração, nas nossas atitudes - especialmente nessas, porque nem sempre a gente consegue parar pra ver isso, a menos que seja tarde demais.

E não adianta: TODO MUNDO COMPARA. Fato. Por mais que você tente não o fazer, sempre vai sentir aquela coisa de que faltou alguma coisa, ou podia ser melhor, ou foi melhor do que alguma outra vez ou ocasião, porque você tem a base, e só pode ser melhor/pior ou simplesmente diferente porque é relativo. Tudo é relativo, "depende do referencial adotado", diria o Chico, meu (brilhante) professor de física do colegial, até porque somos um saco de carne e ossos pensante, racional, fruto de nossas experiências, e negar isso é querer negar tudo que se vive, de bom ou de ruim. E não é de todo ruim, porque algumas coisas são melhores do que as outras, pessoas que acabam por nos agradar mais do que outras, atitudes com as quais nos identificamos menos do que outras... sempre o "mais/menos que".

Eu mesmo ando me pegando nisso, porque frequentemente acho que já fui menos reclamão, menos propenso a ficar irritado, menos crítico (não do que os outros fazem, mas do mundo mesmo), mais de bem com a vida, mais desencanado, menos estressado. Acho que até mais esperançoso.

Mas o complicado é, voltando, pessoas. A gente comparando e sendo comparado, porque muitas vezes é uma coisa desigual, e certos filtros vão sendo colocados que distorcem ou norteiam essas comparações. E o mais complicado é saber que somos todos diferentes, a tal ponto que às vezes é como querer jogar Super Trunfo com cartas misturadas de diferentes temas, tipo um de "Caminhões Envenenados" (meu primeiro baralho desses, de partidas que nunca acabavam com o Otávio, meu primo, no alpendre da casa da minha avó) e o outro de "Super Motos", nada a ver. Só que o fato de ambos terem um motor e um dos itens de ambas as cartas ser Km/h faz com que, automaticamente, coloquemos as cartas lado a lado pra ver qual é melhor. Não dá, mas a gente insiste, por mais que racionalmente saibamos que o certo é separar os baralhos - sorry, impossível. Tem cartas que ficam perdidas e nunca voltam ao deck original.

Um exemplo prático de como essa coisa toda atrapalha a gente mais do que deveria? Música. Tem muita banda boa hoje, mas a gente insiste em rotular e dizer "Ah, parece com Fulano". Eu mesmo fui ouvir The Last Shadow Puppets, porque o Last.fm me disse que era similar a Franz Ferdinand e The Kooks, por exemplo. Gostei? Nada, uma merda, mas porque eu tava esperando uma coisa e ouvi outra. Será que se eu não tivesse comparado, mesmo que previamente, eu teria gostado? Pode até ser, mas dá pra fazer? Complicado, complicado mesmo, e talvez o coitado do Alex Turner (vocalista do Arctic Monkeys também, por sinal) tenha se queimado sem culpa, porque eu não dei uma chance justa a ele. Ou não, porque é chato pra burro mesmo.

4 comentários:

Ana Elisa Gusso disse...

Acho que esse é o seu melhor post EVER. Eu sempre me pego pensando nisso também, no quanto eu tenho que tentar parar de comparar, mas não dá, é da nossa natureza mesmo. A experiência passada sempre vai estar lá pra nos dizer alguma coisa sobre a nova experiência.
E esse post também me deu saudade de conversar com vc... Algo me diz que esse assunto renderia um excelente papo :)

Janaína disse...

É inevitável fazer comparações. E, na verdade, não acho que isso seja algo ruim. Precisamos de parâmetros. “Nada é bom ou mau se não for por comparação”, Thomas Fuller. Mas uma coisa é bem curiosa... Já reparou que “The BEST thing we’ve ever had” é sempre aquela que “we no longer have”? É como se o passado sempre vencesse o momento atual. O problema é que quando o tempo passa a gente só tende a lembrar das coisas boas (IN...felizmente?).

Ps: Peguei uma música do The Kooks e adorei, baixei outras achando que fosse gostar tb... Mas que decepção... =/

Anônimo disse...

Até porque você gosta, faz mais sentido ainda... "Of all these friends and lovers, there is no one compares with you"

Pena q você nunca conseguiu perceber isso.

;)

Janaína Lambert disse...

Hoje eu até gosto das musguinhas deles! Olha o que o tempo não faz, não é? =)