quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Inconveniência

"Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
And Pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind."

-- Blowin' In The Wind valeu uma indicação ao Nobel de Literatura para Bob Dylan, o "poeta do rock".

* * *

Desde pequeno, tudo que me cai nas mãos e tem letras, eu leio. Passo atrás de alguém no computador, eu leio, sem querer, mas leio. Bula de remédio, manual de instruções, eu leio. Dirigindo, com livro no colo, ou placas, eu leio, e bato o carro. Bêbado, numa festa, com A Revolução dos Bichos em pocket, no meu bolso, sentei e comecei a ler. Clássicos, modernices, consagrados, subestimados, poesia, prosa, porcarias, ténicos, eu leio.

Daí vêm os blogs, e eu começo a ler os outros, amigos ou não. Eu vou lá, (re)começo o meu, recebo elogios, mas falta alguma coisa. Leio outros, escrevo mais, e continua faltando. E me vem aquela inquietação, um não sei o quê incômodo. Gosto cada vez mais do que os outros escrevem, e me anima saber que tanta gente escreve tão bem e, infelizmente, nunca vai ser publicado, porque o mundo não funciona mais assim. Tanto posts mais poéticos quanto os mais revoltados, tudo me agrada, e me incomoda.

Não é que quero o lirismo comedido, bem-comportado ou que não é libertação, nem busco o lirismo dos loucos, difícil, dos bêbados (esse quem sabe). Só queria poder ler o que escrevo e gostar mais, achar menos pedante, menos hipócrita, menos bobo. Parece que fica entre o deboche e o sério, quase uma coisa de auto-ajuda, não chega à irônia que eu quero, mas não é tão maçante assim. Consigo chegar a algum lugar?

Entre uma divagação e outra, esse post que vai me render mais um incômodo, eu volto, frustrado, para os meus livros que têm, cada vez menos, esse lirismo que Bandeira quer e, mais importante, tem.

8 comentários:

Anônimo disse...

Estúpido!

rmiya disse...

A auto-crítica, quando em dose equilibrada, é muito positiva. Não é fácil lidar com isso, pois em geral exigimos demais de nós mesmos, muito mais do que dos outros.
Mas vez ou outra eu escrevo alguma coisa e, no fim, penso com um "pouquinho"(pois a auto-crítica é forte) de orgulho: "gostei!".

Vai me dizer que você nunca sentiu isso?

marcia_cristinafeliz disse...

Olá Paulo,

Como você pode ver, quem escreve está exposto. Podemos receber elogios, insultos, agradar, desagradar, provocar risos ou fazer alguém chorar.
Não creio ser ruim escrever sobre si mesmo, uma vez que os outros terão uma opinião independente da sua ou da minha. Se 10 pessoas lerem, serão 10 opiniões diferentes.
Concordo quando você diz que há muita gente talentosa aqui por internet, que nem sempre terão a oportunidade de mostrar seu trabalho, ou expor suas idéias.
Agora que sei que seu espaço é criativo e interesante, visitarei com mais frequencia.

Um abraço

Marcia Cristina

Alessandra disse...

Eu faço a mesma coisa, e acho ótimo. Não existe nada pior que estar engatinhando e se acreditar campeão dos 100m rasos. É bom essa auto-crítica severa, nos dá dimensão do quanto os grandes são grandes de verdade. Temos que nos comparar com quem é muito melhor, sempre. Quando escrever, se compare com Fitzgerald, com Hemingway, com Machado, com Nabokov. Não com o Zé do blog do lado (mesmo que ele seja bom). Isso em relação a tudo, escolha sempre o melhor modelo que encontrar.

Marina disse...

saudade menino!!!
vamos ver um da mostra neste finde?
gomorra? domingo 15h40? compro pr agente antes, mas vc tem q me ligar pra conrirmar....
beijosss

Sandro disse...

Um dos meus escritores preferidos é o Ray Bradbury. Ele tem um livro sobre a arte de escrever em que ele diz que o melhor estilo é o da autenticidade, o da sinceridade. E as melhores coisas são escritas com velocidade, sem travas, sem inibição. A auto contenção é inimiga da boa escrita. "não pense, escreva!"

Ele criou o Guy Montag mas este criou vontade própria. Tudo que o Bradbury fez foi tentar acompanhá-lo correndo para onde quer que ele fosse.

Boas idéias vêm das associações livres do inconsciente. "Não me perguntem o que estou fazendo ou para onde estou indo. Eu ainda não sei."

Paulo Tiago disse...

Rê, algumas poucas vezes eu tenho essa sensação, infelizmente. Parece que eu tô fazendo doce, mas tá longe disso... e vem o Sandro e solta um comentário que me deixa bobo, justamente porque eu me pergunto se eu deixaria um bom assim pra alguém ou faria alguma piadinha.

Bom, e o da Alê eu falei pessoalmente: comentário de mãe, um pouco. rs

Dani disse...

Oi...
Nem sei ao certo como cheguei até aqui! Talvez atraída por uma magia parecida a que te leva ás palavras.
Sempre gostei de ler, mas ultimamente estou me autodefinindo viciada em livros. Sejam eles sério, didáticos, romances ou meros passatempos com textos que esvaziam a mente. Até livros pra escutar me interessam!
Aí li o que vc escreveu e gostei! Expressar o que sentimos em relação aos acontecimentos... e palavras... de nossa vida é belo. Devemos reconhecer nossos talentos! Parabéns pelas poucas mas sábias palavras!