sexta-feira, 8 de agosto de 2008

10%

"Garçom, mas eu só quero chorar
Eu vou minha conta pagar
Por isso eu lhe peço atenção"
-- já falei sobre Garçom, do Reginaldo Rossi.

* * *

Pra muita gente, na hora de comer fora a comida e a babida são o fator de maior importância, não é segredo. E isso tem lá sua lógica, porque imagine você ir ao Fasano, pagar a bagatela de R$ 82 num prato de comida e o treco ainda vir ruim, ou a cerveja quente? Não dá, não mesmo. Pior é quando você paga, por exemplo, mais de R$ 40 numa pizza e quando ela chega a vontade de falar é "Opa, chegou metade dela. Cadê o resto?", de tão pequena que ela é. Drink preparado com muito gelo, doce demais ou mesmo forte demais também não ajuda, mas pelo menos no último caso você fica bêbado, então até passa. Coloca um gelinho que tá tudo certo.

Agora, especialmente desde que comecei a andar com pessoas que fizeram/fazem Senac, no caso Hotelaria, eu passei a prestar mais atenção a uma coisa, que no fundo sempre foi super importante pra mim: o serviço. Prova disso é que eu penso duas vezes antes de voltar a bar onde o garçom tá de má vontade, ou dá rolo na conta e o povo do bar não quer nem conversar. Tudo bem, bêbado fazendo conta não é a coisa mais lógica do mundo, mas tem bar que abusa da boa vontade e do teor alcóolico. No caso de garçom com má vontade, acho que o primeiro sinal que eu tive foi na Pizza Hut, indo pra Bienal do Livro, em 1998 - os caipiras vinham pra SP e tinham que passar no shopping, claro. A mulher atendeu a gente tão mal que eu fiz questão de falar "E traz os 10% no troco porque a gente não vai pagar", pra ver uma cara de bosta e outra mulher trazer o troco. No segundo, foi no Bar Baro, ali na Vila Olímpia, dois anos atrás, quando meus amigos e eu tivemos que ser escoltados pela PM pra fora do bar pelo rolo que deu com a conta, a Amanda em prantos e o bar querendo botar seguranças-gorila pra gente pagar por coisas que não tínhamos consumido (nem a tal tequila, por incrível que pareça). Aliás, hostess com cara de cu também não me agrada, e deve ser requisito pro El Kabong de Pinheiros.

Serviço conta DEMAIS. Pra muita gente, tem que ser impecável, mas pra mim a coisa não pode ser ruim, seja ela como for. Confesso que gosto mais do garçom que vai te dar tapinha nas costas e gritar no meio da cantina "Salve o Corinthians!", sendo que ele é palmeirense - esse, no caso, é o garçom personificado, impressionante. Aquele outro que vai beber com você depois do expediente, até sua amiga já bêbada dar PT e ameaçar vomitar de tanto vinho. Ou mesmo garçom que faz piadinha com você, sendo ao mesmo tempo mega educado pra te servir um beirute delicioso. Tem garçom que tá há tanto tempo na mesma lanchonete (e ele é o único que tá lá, juro) que deve ser dono já. Sempre que eu vejo esses caras, ou mulheres, eu penso que contrataria pro bar que eu ainda vou abrir, e até então tinha uma listinha de uns 5 garçons.

Ah, por sinal, a palavra 'garçom' vem do francês. Pra eles, garçon significa 'menino', mas aqui essa merda dessa palavra é com M e NS no plural, só. No português antigo, por outro lado, 'garçom' designa um sujeito desonesto. Aqui no Brasil, se você parar pra pensar, eles são sempre o Bigode, o Ceará, o Baixinho, o Zé, o Pelé e por aí vai, sem erro.

Daí que quarta agora eu fui finalmente ao Joakin's, e eles têm mais um que vai ser contratado, o Moacir (esse é com I). Mas o detalhe é que eu não faço a menor idéia do nome do sujeito, mas ele é manco, cheio de rugas e é a CARA do Moacyr Franco, e tem uma cara de mau humorado que eu nunca vi, some do nada (o melhor comentário sobre isso foi "Tá lá na cozinha aquecendo a voz") e nem olha na cara da gente, porque é estrelinha e só atende quem ele quer. Sem contar que logo depois veio o Joacir (não é piada), que puxou o tapete do Moacir e assumiu o cargo de gerente de mesas antes, safado. Mas tá contratado, porque eventualmente alguém ia achar graça e acabar voltando, e ele vai receber mais que os 10% dele, porque vai ter gorjeta e, um sorriso e um obrigado sinceros, que garantem a fidelidade do cliente.

Juro, é muito bom voltar à Mercearia São Pedro e ver o sujeito chegar com um sorrisinho na cara e soltar um "Vai outra capirinha de pinga aí?", tirando com uma coisa que rolou em 2005. Eu, é claro, sempre aceito. E volto depois, sempre deixando meus 10%.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Aaaaahhhhhhhhhhhhhhh

"Não pára!"

"Embora cerca de 30% delas tenham dificuldades de sentir prazer durante o sexo, as mulheres têm uma vantagem sobre seus pareceiros: ao contrário deles, elas podem ter vários orgasmos durante uma mesma relação, e não precisam dar uma descansada antes de partir para a segunda rodada."

Ponto pra elas na batalha dos sexos. Aliás, se a transa fosse um placar, em muitos casos a mulher ganha do homem de goleada. Sorte a delas, e de quem é homem o suficiente pra achar isso ótimo, porque sexo nunca é uma coisa feita sozinho.

Feliz dia do orgasmo! Já teve o seu hoje?

domingo, 13 de julho de 2008

Me escreve?

"You smile, mention something that you like
or how you'd have a happy life if you did the things you like"

-- nunca tinha percebido como gosto desse trecho de The Dark of the Matinée, do Franz Ferdinand. E como é certo isso que eles cantam.

* * *

Já falei aqui da minha relação com livros e acho que já deu pra ficar bem claro que tem uma coisa muito forte, mas muito mesmo, com filmes também. Daí que semana passada eu finalmente acabei de ler Slam, do genial inglês Nick Hornby e, no busão indo pra BH, li o trecho que fala sobre o nascimento do filho do Sam, protagonista do livro - e babei. Não entendeu?

Sam é um garoto de 16 anos, skatista e londrino, que arruma uma namorada, Alicia, e ela fica grávida. Só que a mãe dele o teve com a mesma idade, é divorciada do pai e a família da Alícia, claro, não gostou nada da idéia. De quebra, ele conversa com o pôster do Tony Hawk que ele tem pregado na parede do quarto, sendo que o tal pôster só responde com trechos do livro que o próprio TH escreveu sobre sua vida. Basicamente é isso, e não vou ficar falando aqui por horas sobre o livro, até porque tenho uma tendência péssima a ser spammer de mão cheia. Mas pelo menos pra uma coisa eu vou ser: o nascimento do filho, Roof. Quando li que o menino tem esse apelido por se chamar Rufus, não entendi muito bem, mas foi assim: na hora do parto, a mãe da Alicia tinha colocado um CD, e a faixa em questão era de um cara chamado Rufus Wainwright - que já tocou no Brasil, e é ótimo compositor -, vindo daí o nome do filho. O trecho com a piada do nome Coldplay Burns ou Coldplay Jones é hilário, mas o cerne da passagem, pra mim, foi como escolheram o nome, e isso foi fantástico! Daí pensei: vou tentar fazer a mesma coisa, e deve ser mais fácil com um iPod (se até lá ainda não tiverem roubado o que eu tiver). Ou mando uma carta pro Nick Hornby, pedindo pra ele bolar uma nova, e até prometo que o segundo pimpolho vai se chamar Nick.

Daí me veio que, pensando que eu queria algo legal assim pro nascimento do meu filho, já pensei nisso antes, com o Tim Burton e pensando no momento da minha morte. Trágico? Nem um pouco, é só ver Peixe Grande, uma obra prima longe de ser seu melhor filme, menos pra mim. Se você não faz idéia do que eu estou falando, tire essa bunda da cadeira e vá ver o filme, eu até te empresto, porque tenho aqui. O pega na net, por torrent, sei lá. Mas imagine aí como seria uma morte calma, pacífica, ao melhor estilo do melhor contador das melhores histórias que você consegue imaginar, indo até onde sua imaginação puder te levar. É assim que Will Bloom conta para seu pai, Edward, no leito de hospital, como seria a morte dele, já que o pai era o maior contador de histórias do filme - não é a toa que o filme tem, em português, o "e Suas Histórias Maravilhosas" no título. Eu que sou contra isso achei bem apropriado, e choro toda vez que vejo tanto a morte contada quanto a morte real. Acho que, se eu pudesse, pedia para o Tim Burton escrever a minha morte, nem que fosse pra que ela fosse contada ao invés de algo simples como morrer dormindo, ou estúpido como um acidente.

Filho e morte, certo? Bom... daí fui pro casamento. Tudo bem que tem cenas e cenas e cenas de casamento, mas a de um filme de que até já falei aqui me veio: El Hijo de la Novia ("O Filho da Noiva"). Ok, não quero me casar tão velho, mas ver os Belvedere casando de um jeito tão bonitinho me fez pensar que, se até lá eu estiver como eles, apaixonado, faço questão de me casar de novo, como Nino, o pai, faz. Juan José Campanella, escreve pra mim essa? Mas, por favor, não precisa fazer com que minha mulher esteja esclerosada e meu filho tenha passado por um ataque cardíaco, porque as coisas podem ser um pouco mais fácil. Mas, se tiver comida argentina, eu bem agradeço, especialmente as carnes e mascarpone. Valeu, hein?


Mas aí eu travei, pensando em como eu gostaria que fosse o meu casamento, ou minha formatura daqui a alguns anos (Legalmente Loira passou longe), e vi que... sei lá, não vi nada - só a menina do outro lado do corredor do Cometa me encarando. Acho que seria muito legal poder ter as coisas escritas para mim, até mesmo uns episódios tão bons quanto os que tem no livro Ria da Minha Vida Antes que Eu Ria da Sua, que foi surpreendentemente engraçado - pelo menos o primeiro, como no episódio do arroto da pizza, que me fez rir alto no ônibus, mas aqui em São Paulo mesmo. Só que, no fundo no fundo, eu quero mais é que tudo venha como vier. Não teve filme que me mostrou uns corações partidos tão bons quanto o meu, ou que me mostraram como o mundo é cão como algumas coisas que eu vi e vejo todo dia mostram (a exemplo do menino assaltado na Sta. Cecília). Por um lado é muito bom, porque essa parte difícil a gente só aprende escrevendo enquanto vai vivendo, não tendo um script pronto, e por linhas tortas, escrevemos ora certo, ora errado.

Mas, se a gente pedir com a jeitinho, será que um dos três aí em cima, ou mesmo outros escritores e roteiristas tão bons, não escrevem um pouco mais do mundo pra gente? Garanto que o mundo seria um lugar mais bonito, mas como não dá pra mudar a realidade, eles continuam a brincar com nosso imaginário, e por isso eu sou agradecido, por me darem um certo refúgio de tanta loucura. E, como ainda tem tempo, eu agradeço se puderem fazer essas que eu marquei aqui. Custa nada, vá. Até convido os três pras festas.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Em 5 anos...

"We've got five years, stuck on my eyes
Five years, what a surprise
We've got five years, my brain hurts a lot
Five years, thats all we've got"
-- será que meu cérebro vai doer em 5 anos, Bowie? Five Years.

* * *

Ontem, parei pra pensar nas coisas que podem acontecer nos próximos 5 anos, e foi até uma coisa curiosa, porque me peguei pensando nos últimos 5 anos, em tudo que aconteceu. Mas prefiro falar do que vem por aí, e não tô falando de mim mesmo.

* o Brasil pode ter sido hexa na África e levado mais uma Copa América, e com certeza o técnico não vai ser o Dunga. Eu até diria que será o Scolari, preparando o time pra 2014 em casa.

* o Corinthians vai ter subido e ainda vai estar tentando ganhar uma Libertadores - como eu quero estar errado nessa.

* as administrações da Casa Branca e do Palácio do Planalto, graças a Deus, já terão mudado. E já teremos tido duas eleições para prefeito.

* terão se passado 1826 dias, porque temos um ano bissexto no meio e, consequentemente, mais uma edição dos Jogos Olímpicos, considerando que Pequim é esse ano. Isso dá 43.824 horas.

* um brasileiro terá lido 23,5 livros, o que é vergonhoso. Um francês, no mesmo tempo, terá lido aproximandamente 55 livros. Pelo menos lemos mais do que os norte-americanos, que terão lido coisa de 20 livros.

* Deus só que sabe o que Steve Jobs e a Apple terão feito do iPod e do iMac. Talvez o Windows 7 estará rodando em máquinas no mundo inteiro, e o XP será obsoleto. Laptops, com certeza, dominarão o mundo. Eu ainda espero estar com meu bom e velho PC.

* o começo do embargo norte-americano a Cuba fará 50 anos (e até lá deve ter caído), o Brasil celebra 50 anos da primeira transmissão a cores na TV (a TV Tupi) e 40 anos da primeira novela a cores ("O Bem Amado"), a primeira ligação a partir de um telefone celular terá completado 40 anos, Adriane Galisteu fará 40 anos, o Video Show fará 30 anos (espero que não, peloamordedeus!), Priscila Fantim fará 30 anos, os homossexuais comemorarão 20 anos do veto à proibição de gays no exército dos EUA, A Morte do Super-Homem completará 20 anos e ela continuará sendo a coisa mais legal feita do Homem de Aço até então, o Novo Código Civil Brasileiro estará completando 10 anos de efetivação, o Fantástico completará 40 anos e deve exibir mais um especial.

* israelenses e palestinos, provavelmente, ainda estarão se matando aos montes.

* meus pais terão sido casados há 32 anos, e minha avó estaria (estará, espero) fazendo 90 anos. A Ana Luísa, coisa fofa, vai estar com quase 6 anos. E a Larissa estará pra completar seu quinto ano como - pasme! - mãe e eu serei tio por duas vezes, mesmo sem irmãos.

* acho que a maior parte dos meus amigos vai estar casada ou se casando. Das formaturas aos casamentos, é o ciclo da vida.

* São Paulo terá completado 459 anos, e Poços de Caldas ainda fará 141 anos.

* meu cabelo - e o seu, a menos que seja careca - terá crescido aproximadamente 120 cm. Se não cortar, claro.

E poderia ir colocando coisas e mais coisas. Pensei nisso tudo porque, em 5 anos, espero estar me formando advogado às portas do exame da OAB. Esse tipo de pensamento que me fez esquecer a preguiça e ver que, fazendo faculdade ou não, os próximos 5 anos vão passar e, aposto, poderia colocar muito mais coisas aqui.

Quem sabe o São Paulo também não cai pra segundona até lá?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Pérolas

"Ontem você acabou comigo
Quase não chego vivo em casa
Subi as escadas rastejando
Olhos vermelhos, lacrimejando
Todo cheio de porrada"
-- só porque eu finalmente consegui a discografia inteira do Velhas Virgens. No caso, Madrugada e Meia.

* * *

(uma pessoa acordando, a outra chegando em casa, umas 9h30 da manhã)

- Ele tem uma importadora de cerveja?
- Tem sim, sei lá... era uma coisa assim. Só fui saber disso hoje cedo, e quase soltei um "Como você chama mesmo?".
- hahaha E pegou o telefone?
- Eu não queria dar, mas daí ele pegou meu telefone e me ligou pra ver se era o certo. Eu tinha pensado em dar o errado, mas ainda bem que eu dei o certo.
- Vai sair com ele hoje?
- Não! Putz, que raiva... quando a gente faz alguma coisa de homem, vocês ficam todos mulherzinha. "Ai, quando eu vou te ver de novo?" ou "Posso te ligar amanhã?".

(por isso também eu sou tão fã dela; e quem não te conhece que te compre)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Motorzinho

"You need passion, we need passion
Can't live without passion
Won't live without passion"

-- vai parecer piada, mas isso é Rod Stewart, em Passion.

* * *

Pessoas sem uma paixão na vida são um caso complicado. Ou algumas, não precisa ficar preso a alguma coisa só. Meu pai, que talvez seja meu maior role model, pro bem ou pro mal, me mostra uma coisa que eu não quero ser, e acho que não vai ser o caso: uma pessoa sem paixões.

"Ah, mas eu amo meu namorado, sou apaixonada por ele", diria alguém. Que bom, mas não é disso que eu tô falando. "Sou apaixonado pela minha família". Legal, eu também sou, mas não é isso. "Meus amigos são a paixão da minha vida". Também não, até porque nesse caso é uma coisa que talvez só eu seja de fato no meu household - e isso não tem a ver com a quantidade de amigos (ou melhor, amigas?) que eu tenho, como algumas pessoas já notaram.

Eu falo de paixões SUAS. Eu conheço gente que tem verdadeira tara pelo trabalho, chega a fazer um workaholic parecer um vagabundo, mas não pela quantidade, mas sim pelo empenho, pela empolgação. Tenho amigas, eu diria, cuja paixão é o teatro, e eu gosto de ver como elas ficam quando falam sobre isso, especialmente se é o caso de uma peça delas. Alguns dos meus amigos são loucos pelos times de futebol, e pelo esporte em si. Um ex-aluno meu - acho que posso dizer "meu amigo", apesar de ele me chamar de teacher até hoje - é bem caladão, mas falar de música com ele faz com que o bicho mude. Algumas pessoas são apaixonadas por viajar, conhecer novos lugares - e não é só gostar, é AMAR a coisa.

No meu caso, acho que é literatura, mais até do que música ou cinema. Claro, o livro do Pearl Jam foi o fruto de alguém conhecer essa paixão que eu tenho, e mais especificamente uma vertente que até então ninguém (friso: NINGUÉM) sabia: os tais cartazes de shows. Mas talvez nada faça meus olhos brilharem tanto quanto falar sobre livros, impressões, explicar, mostrar conexões, falar da relação deles com o mundo. Curiosamente, eu percebi isso nos EUA, por causa de um sorrisinho bobo (no melhor sentido da palavra) e um "You should see the way your eyes shine when you talk about books", porque eu falava sobre 1984 e Admirável Mundo Novo.

Acho que o que eu quero dizer é que não é ruim ter como paixões sua família e seus amigos, como metade do orkut gosta de dizer. O que eu penso é que... sei lá, parece que a pessoa, ou a vida dela, fica meio vazia sem mais nada. Eu gosto de ouvir alguém falar de coisas pelas quais ela é apaixonada, e pode ser biologia, mas é uma coisa da pessoa, na qual ela pode se aprofundar, se soltar, se empolgar, sem necessariamente depender dos outros. Isso se reflete nas conversas, e quem me conhece sabe como isso pesa pra mim, até porque eu sempre brinco dizendo que uma hora tudo que a gente vai ter pra fazer na vida vai ser conversar com os outros. Falar dos outros é legal, contar histórias também - eu que o diga -, mas tão bom, tão legal quanto isso é falar e ouvir também alguém falar, com os olhos brilhando, sobre alguma paixão e ver o porquê daquilo ser o que é pra pessoa, e que isso não seja contar o que os outros fizeram.

Confesso que sempre que escuto alguém fico até com uma ponta de inveja, sabe? Acho que é porque me fica uma coisa de "Isso parece ser tão bacana, como eu nunca fui atrás antes?", e daí me vem a vontade de ler, ver, ouvir, aprender. Só que nem sempre eu vou porque, por outro lado, gosto de saber que aquela não é a minha paixão, é a de alguém, e talvez seja justamente por saber que eu sempre vou poder aprender um pouco mais, alguma coisa nova, que essa pessoa me cause a admiração que eu sinto por ela.

E, sinceramente, todo mundo tem essa capacidade. Sou da humilde opinião que eu consigo ver isso e até que bem, e por isso ainda sou tão fascinado pelas pessoas. Talvez essa seja minha real paixão, justo com o Guimarães e o Drummond, claro.

* * *

Agora, comenta ae: o que te move, hein? Sem mentir!

domingo, 15 de junho de 2008

Random

"I'm feeling rough, I'm feeling raw, I'm in the prime of my life.
Let's make some music, make some money, find some models for wives.
I'll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars."
-- o MGMT dá as dicas com Time to Pretend.

* * *

Esse post é descaradamente roubado de um outro blog, idéia da Bruna (aka "Brota"). E é muito legal!

Vamos montar uma banda?

Nome da minha banda: Department of Arts, Sport and Tourism

Disco: Random Quotations

Capa:


Será que vai fazer sucesso? Uma das músicas vai ter que se chamar Modo Texto, fato.

domingo, 8 de junho de 2008

* PEARL JAM Vs. AMES BROS *

"Don't it make you smile?
Don't it make you smile?
When the sun don't shine? (shine at all)
Don't it make you smile?"
- Eddie Vedder, sua gaita, o Pearl Jam e Smile.

* * *

"Este é, na verdade, também um presente pra mim. Sempre um prazer, uma alegria poder ver seus olhos brilharem. Depois de muitas voltas, ele chega, enfim, nas mãos do único dono que poderia imaginar."


Hoje eu ganhei um livro. Livros são sempre bons presentes, ainda mais pra mim. Mas esse é especial, por vários motivos - a começar pela dedicatória, e por tudo que ele acaba representando. E é, sem a menor sombra de dúvida, o melhor presente que eu ganhei na vida. Foi uma pena não ter demonstrado tão efusivamente, mas você sabe disso, pode acreditar.

Obrigado. Obrigado MESMO!

terça-feira, 27 de maio de 2008

¡Qué rico!


Juro que vou escrever um post sobre BsAs, mas agora eu preciso dormir. A coisa tá feia, e infelizmente não é piada. O Alberto andou se descontrolando, e eu perdendo vôo.

* * *

Então, olhando aqui nas minhas anotações... não sei se vale a pena entrar em detalhes, porque foi tudo muito bom. Então, decidi ir por tópicos, que não estão em ordem e podem não fazer o menor sentido. Se bater curiosidade, podemos sentar pra tomar um suco (até 22/06) que eu conto, com prazer. E com um pouco de vergonha.

* numa casa com muita gente dormindo na sala, esperar que você durma no SEU saco de dormir é querer demais. Isso quando você tira a roupa ou pelo menos se lembra de ter dormido.

* andar de ônibus é uma experiência única! Você descobre que não sabe nada de espanhol, percebe que São Paulo tem o melhor sistema do mundo (até mesmo o Terminal Bandeira) e ainda por cima toma um com um motorista que é o louco no trânsito em pessoa, mas como toca som legal até pensa numa balada no busão. Só se for pra Recoleta.

* definitivamente, deve ter um campo magnético portenho que afeta minha memória. Acho que ele emana das garrafas de vinho. E de pisco. E de cerveja. E de rum. E de pinga. E de absinto.

* eu me perco, tomo o metrô errado, ando por horas, dou de cara com um museu fechado, sento pra ler mapa no meio da calçada (e um moço muito simpático vem me perguntar se eu tô bem), andamos pelas ruas às 3 da manhã sem saber direito onde estou, cantamos a plenos pulmões no meio da avenida mais larga do mundo... ADORO!

* Brasil, Argentina, Rússia, Alemanha, EUA, Canadá, Grécia, Polônia, Espanha, Venezuela, Bolívia, Israel. E não era nenhum torneio de futebol.

* música é vida, definitivamente. Tanto brincando de DJ (viu, Anna? Eu disse que sabia o que estava fazendo!) quanto "morning music", vinda do quarto do lado. Aos berros, é claro. Só faltou mesmo um pouco mais de tango na minha vida, e menos vergonha pras fotos.

* Menelaos estava certo: o café deles é horrível! Só serve pra colocar com leite e jogar, bem quente, em mim - pelo menos não tive que tomar tudo aquilo. E todos estão certos quanto à carne, porque é um pecado de boa. Ainda assim, consegui ir ao McDonald's um dia.

* vinho no melão, caipirinha ótima feita na panela e que se torna um tipo de "cachimbo da paz", música da boa, uma venezuelana que merece uns tapas, cerveja, pinga na boca da garrafa, mordidas pra todos os lados, fotos e mais fotos, vizinhos chatos e muitos, mas muitos bêbados fazem do seu sábado à noite uma coisa muito especial.

* cachorro quente por lá é chamado "pancho". E daí, bêbado, você diz na lanchonete que vai comer o Pancho e se mata de rir, sozinho. Metade da salsicha vai pro chão, diante da cara de nojo da menina do seu lado.

* além de ótimas refeições, Puerto Madero também tem bolos nem sempre muito agradáveis. E dá pra jantar sorvete, só. Sem comida.

* alguns alemães são ótimos para tocar fogo no chão da sua casa, com uma colher.

Posso voltar agora? Mas não quero perder vôo dessa vez.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Coisa corriqueira

Sabe, saindo do metrô, ali na Sta. Cecília, acho que vi um assalto. Logo de cara pensei que fossem dois irmãos, mas passando perto vi que não. Um marmanjo, coisa do meu tamanho, socando um moleque de no máximo uns 7 anos no chão, e arrancando coisa da mão dele. Fiquei meio estático, com vontade de correr lá e dar um soco na cabeça dele e cair em cima, descendo porrada. Todo mundo passando como se nada estivesse rolando, meio indiferente, e o moleque no chão, chorando. E eu lá, parado. E o medo de o cara ter uma faca? Confesso que pensei até mesmo no meu iPod, coisa bem egoísta. Me senti um inútil, um idiota, por não ter feito nada, e nenhum policial por perto. Uns taxistas "assistindo" àquilo... QUE RAIVA! Juro, tô muito puto, sei lá... revoltado, bravo por não ter feito nada, e em especial por pensar que isso é coisa corriqueira, acontece todo dia, e o moleque, de certo, vai chegar em casa e apanhar de novo por isso. E daí cresce mais uma pessoa achando que o mundo é assim mesmo. Caralho!

Por isso e por outras eu acho que a humanidade já teve a chance dela. Tá na hora de botar outra aqui.