terça-feira, 15 de abril de 2008

Madrigal nada engraçadinho

"Angel you sing about beautiful things
And all I want to do is believe"
-- Angel, de Matt Nathanson

* * *

A escolha quase mais estúpida talez que eu devo ter feito até hoje na minha vida, inclusive o tanto de coisinha estranha e depois bonitinha que me dizem quando eu tinha vinte e três e depois vinte e quatro anos, não tem nome.

sábado, 5 de abril de 2008

Pegou, hã hã?

"As weak we move, I'll feed you light, baby
May our bodies remain
Oh yeah in history, I'll treat you right, baby
I'm honest that way, hey"

-- Public Pervert, do sempre bom Interpol


* * *


Tem gente que morre de vergonha quando pensa em sacanagem, ou mesmo solta uns palavrões. Piada de duplo sentido, então, nem pensar, menina atrevida! E o pior é que quando a gente faz uma perto dessa pessoa, todo mundo ri e ela fica lá com aquela cara de "não entendi", até que alguém tenha que explicar a piada, e daí fica muito chato, perde completamente a graça.

Eu tenho a mente suja, e não nego isso. Bem diferente do cara de 18 anos que ficava roxo porque uma menina falava que tava de moicano e olhava pra baixo, pra si mesmo. Lá pra você-sabe-onde. Claro que na época tive um grande "mestre", um teacher que era literalmente o dobro do que é hoje, ainda que seu tamanho pra mim nunca tenha diminuído. Penso em besteira a cada 5 minutos, e consigo ver um lado sujo em coisas ditas o mais inocentemente possível. Só saí, aliás, da comunidade disso do orkut por conta dos meus alunos... ou não? Nem lembro. Enfim, o lance é que eu fico com piadas na boca, penso pelo menos no dobro das que eu falo, e a coisa é meio incontrolável. E nem sempre tem a ver com sexo, mas como resistir pedir pra ver a palma da mão quando a pessoa fala que tá com o joelho doendo? E quando falam "a gente mora em quatro"?

O foda (oh!, palavrão!) é que tem horas que a coisa passa do limite. Daí, mesmo qualquer coisa tipo "introdução" ou mesmo a frase "vou sentar um pouco" te fazem pensar em coisa feia. Claro que isso é em dias de Homem-Aranha (leia-se "subindo pelas paredes"), ou da pá virada, ou quando rola bebida no meio, ainda que algumas pessoas não sofram desse mal etílico. Mas nada pior pra ativar seu lado sacana do que uma pessoa, fato. No meu caso algumas, e isso não é necessariamente ligado ao fato de que vocês (a gente?) já se pegaram, mas simplesmente acontece. Uma das pessoas, no meu caso, supera qualquer limite, porque QUALQUER conversa passa a ter um quê de sacanagem, por mais boba que ela seja... é uma coisa incrível! Semana passada, tomando café da manhã, acontecia de ser um comentário > um olhar > uma risadinha e pronto! Já tinha besteira no meio (ui!). Sempre foi assim, e desconfio que desde ano passado meu nível de besteiras subiu, e bastante.

E qual o problema nisso? Te digo, chega ae.

Nenhum.

Absolutamente nenhum. Todo mundo é feito de carne e osso, e eu sempre fui da turma dos que acha que se tá a fim tem mais é que fazer mesmo, e pensar não mata ninguém. Tudo bem que na Igreja a gente fala que pecou por "pensamentos e palavras, atos e omissões", mas pensar em besteira não é nada de mais; não sou católico tão fervoroso assim. Ainda assim, minha mente funciona a mil, e eu sou pervetido nesse sentido, não no de tentar coisas bizarras demais. Quando alguém, aliás, me chama disso por conta das piadinhas maliciosas e das besteiras que eu penso, meio que levo a coisa como um elogio, especialmente pelo fato de que eu não tenho vergonha de admitir a coisa. Óbvio que não é com qualquer pessoa, por favor.

Vamos fazer um teste pra medir o seu nível de "perversão"? Vou postar uma foto aqui, que graças ao Tobias - suíço muito gente boa e que pensa tanta besteira quanto eu - existe. Na real, a gente nem viu na hora, mas foi olhar no computador pra - pimba! - batermos o olho e darmos risada. Diz aí, o que você vê de mais nessa foto?


Pode deixar postado aqui o que você pensou, e depois eu posto a resposta. Se você não conseguir ver nada, mas nada mesmo... que tristeza, credo. Daí só falta falar que nem na música do Interpol você conseguiu pegar um duplo sentido.

Fato é que se o sujeito não consegue pegar essas coisas, não tem jeito. Nenhuma porra vai fazer milagre, até porque é uma dureza essa situação. Não muda, nem fodendo. Aproveito e faço um pedido: tem umas frutas na foto. Pica pra mim, por favor?

* * *

Toby, what can you see in that picture? It's for you, dude! hahahaha

sábado, 22 de março de 2008

It's over, Johnny. It's over!

ANTES DE LER O RESTO: tenha em mente que esse post é um spoiler de Rambo IV. Sim, dá pra ser, mas não é só isso, juro.

* * *

John J. Rambo: Live for nothing... Or die for something... Your call.

* * *

Depois de séculos, finalmente fui ao cinema ver o novo filme do Stallone. Na verdade, o "novo" velho filme, porque a esse Rambo IV não tem nada de novo - nem mesmo titio Stalla pagando de novinho ou tentando revivier um de seus antigos personagens, como Rocky Balboa já tinha mostrado ano passado. Mas, se você for assistir pensando que é um filme de ação pra divertir sem maiores pretensões, ele cumpre seu papel, e até que bem.

Mas daí eu confesso que voltei pra casa pensando nos outros filmes da série Rambo, e na relação deles com esse novo. Será que eu não consigo MESMO ver um filme sem pensar em algo de mais complexo? Saco.

Mas, enfim... voltando ao primeiro filme da série (que em inglês nem mesmo se chama Rambo, mas sim First Blood), é gozado ver como John Rambo naquele filme mais é um homem perturbado, que é provocado na hora errada e do jeito errado, e isso leva a algumas mortes e a um posto de gasolina explodindo. Mas nem de longe o personagem é um herói de guerra, uma máquina de matar como ele viria a ser mostrado depois; tanto que por mais que o Marcão, por exemplo, fizesse piada com os diálogos do filme, eles eram infinitamente mais bem construídos do que qualquer fala que eu vi hoje - tanto que a epígrafe aqui em cima é de certo a fala mais "inteligente" ou profunda do filme. Sem contar que uma fala do tipo "Fuck the world!" é o que a gente vê de mais atormentado no Rambo. Tanto que o nível de violência nos filmes, independente de estarmos falando de 1982 e 2008, é incrivelmente distante porque, ainda que eu não os detalhes tão frescos na cabeça do primeiro filme, lembro que o que ele fazia era mais uma consequência do que era feito pra ele, e agora o bicho virou simplesmente uma máquina de matar (236 mortes) que consegue arrancar o pomo de Adão de alguém na raça e tem um facão que tira cabeças e tripas.

Depois veio Rambo II, que já mostra a máquina de matar. Claro, dá pra pensar que o filme tem um lado de mostrar legal como um soldado pode ser usado pelo Governo pra fazer o serviço sujo, mas ainda assim é basicamente um filme de ação, com o sujeito tirando do apoio do helicóptero uma metralhadora que faria o braço de qualquer um se deslocar. Mas o filme é legal, mesmo! Sem contar que o Rambo se dá bem, dando uns beijos na mocinha espiã do filme, pra ela morrer logo em seguida. E entram os russos em cena! Qual fã de ação esquece a tortura na cama elétrica, ou mesmo o corte com a faca em brasa no rosto dele? A faixinha vermelha, pela primeira vez, sendo amarrada na testa na hora do pega-pra-capá? O gritinho dele destruindo o acampamento do exército no helicóptero e a perseguição que vem logo depois, pra acabar com o tiro de bazuca, são simplesmente fenomenais, extramente bem feitas. E, de novo, estamos falando de um filme de ação. Ponto.

(ah, e a faixinha rolava em todo santo episódio do desenho animado, uma das coisas mais mal feitas que eu já vi na vida)

Na hora de falar sobre Rambo III me sinto suspeito, porque eu simplesmente A-DO-RO esse filme, fato. Dublado ou legendado. Com o Omar Shariff fazendo o velho árabe sábio (o Masoud). Aquela ladainha no começo do filme com as lutas na Tailândia e com os monges. Afinal de contas, ele usa pólvora pra curar um ferimento - acho que a coisa mais de macho que já vi num filme -, entra num jogo estranho (chamado buzkashi)com cavalos e um carneiro morto pra ganhar e dá conta praticamente de um batalhão de russos malvados, derrubando dois helicópteros com uma metralhadora e com um arco-e-flecha. Fora isso, o general russo Zaysen é o melhor dos filmes, com o arzinho de ironia constante no rosto dele e ainda assim conseguindo passar a impressão de que ele seria capaz de te capar com um cortador de unha sem expressar nada. Daí tem a cena final, que começa com uma frase irônica vinda do Rambo fantástica ao ver um exército vindo pra cima, enquanto ele e o Coronel estão em cavalos. Vai assim:

C. Trautman: What do we do?
Rambo: Well, surrounding them's out of the question...

Tudo bem, empolguei. Mas é um bom filme de ação, simples assim. Violento, com ritmo de non-stop e que é bem feito. Tem o melhor absurdo de filme de guerra, que é uma batida de frente de um tanque e um helicóptero, e ainda assim todo um tom irônico se pensarmos que à época (1988) os afegãos eram os coitados oprimidos pelos soviéticos comunistas comedores de criancinhas, e em 2001 eles viriam a ser os fucking terroristas que jogaram os aviões nas torres e no Pentágono, chocando o mundo. Essa arte, hein?

Agora, finalmente chegando a Rambo IV... fica meio decepcionante. A começar que a tal Birmânia chama-se Miamar hoje em dia, mas as cenas de guerra civil e de como os soldados são com as pessoas são, infelizmente, bastante realistas. Os americanos bobinhos e bem intencionados estão lá, tem a figura de um comandante do mal (dessa vez um major pedófilo, acho eu) que tem uns óculos bem bacanas, por sinal, mas nada de russos, ou mesmo do drama do primeiro filme. Ficou longe disso, na verdade, e ainda assim algumas mudanças vieram bem. Não tem helicóptero, e os vilões do filme não falam um A de inglês, então fica sem aquela lenga-lenga de dar explicações do porquê do que fazem - como se houvesse justificativa, e não tem um beijo sequer! Sim, é incrível! Ainda que tenha vários outros clichês e frases prontas, não tem esse! Claro que há um ar todo mítico em volta da figura do próprio Stallone (que bancou a coisa toda, e ainda dirigiu o filme) e do Rambo, porque quem vai ver e tem mais de 24 anos vai sentir aquela coisinha nostálgica de quando via outros filmes, e é aí que o filme perde pontos, não pela sua qualidade isoladamente. O filme não tem aqueles típicos dois ataques, um dando errado (geralmente quando o Rambo é preso e torturado, nem que seja um pouco) e o outro dando certo, pra ele sair gritando e metralhando - é um só, bem discreto, pra um desfecho sangrento, em que a arma em si faz mais diferença do que ele. Aliás, ele inspira até um pacifista a matar a pedradas, mas quem nunca teve esse instinto? A cena final, do tipo "I'm coming home" é muito clichê, do pior, porque é ligada diretamente a um diálogo péssimo com a Sarah "eu toco o coração do bruto" Miller, mas curiosamente lembra e MUITO a abertura do primeiro filme... até mesmo o cabelo dele!

É um filme de ação ao melhor estilo "tiros, mortes e sangue", e no meio de tanta coisa visualmente mais bonita hoje em dia não faz feio não. Mas deixa claro uma coisa: Rambo já deu. Esse filme diverte e é pra ser visto no cinema ou em casa com um aparelho legal, é isso, mas tá na hora de dar ouvidos ao Coronel Trautman quando ele diz que acabou, e deixar por isso mesmo.

* * *
Minha memória é boa, mas nem de longe tanto assim. O IMDB (www.imdb.com) me ajudou, e esse post de certa forma é pro Sandro.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Alter-Ego?






Which Disney Character is your Alter Ego?
created with QuizFarm.com
You scored as Goofy

Your alter ego is Goofy! You are fun and great to be around, and you are always willing to help others. You arn't worried about embarrassing yourself, so you are one who is more willing to try new things.


Goofy


81%

Ariel


81%

The Beast


69%

Peter Pan


69%

Donald Duck


69%

Sleeping Beauty


63%

Snow White


50%

Pinocchio


44%

Cinderella


38%

Cruella De Ville


25%




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E aí, vai fazer? Aproveita e posta nos comentários. Have a magical day!

segunda-feira, 17 de março de 2008

St. Patrick's Day

"Now some men take delight in the drinking and the roving,
But others take delight in the gambling and the smoking.
But I take delight in the juice of the barley,
And courting pretty fair maids in the morning bright and early"

- a irlandesíssima "Whiskey In The Jar".

* * *

Esse ano o "feriado" foi movido para o sábado, dia 15, pois a Igreja Católica não quis que um dia regado a Guinness caísse na semana santa. Faz sentido, até porque é a data mais importante do calendário cristão - se você não sabia disso, sabe agora. Sim, até mais importante do que o Natal.

O fato é que eu tenho saudade de Dublin, e vou tomar Guinness hoje. Afinal, é pro santo! E quem sabe logo mais não passo um dia desses por lá mesmo, hein? Not bad, not bad at all.

Sláinte
!

domingo, 9 de março de 2008

Ai, que burrico!

"A ignorância é a condição necessária da felicidade dos homens"

Anatole France, em Os Deuses Têm Sede

* * *

Essa frase me faz pensar em como às vezes eu queria ser burro. Burro mesmo, não ingênuo ou qualquer coisa do tipo. Faltar inteligência.

Veja bem, não estou dizendo que sou superdotado ou alguma coisa assim, mas não nego que sou inteligente - um lampejo de auto-estima que me vem. Claro que não lembro nada de matemática, provas de lógica me tomam tempo e não sou, de longe, um Einstein. Mas, ainda assim, pessoas costumam dizer que eu sou inteligente e eu mesmo nunca fiquei na mão na hora que precisei usar a massa cinzenta... ou quase. Pelo menos, se não foi na hora, eu aprendi alguma coisa. E ando vendo que as sinapses pra relacionamentos - dos outros, é claro - andam bem rápidas.

Apesar de terem me chamado de "americanizado" em termos de filmes, de gostar muito de coisas mainstream, sempre gostei de coisas que me fazem pensar, refletir, chocassem, fossem de onde fossem... tudo bem que eu sou meio preguiçoso pra procurar filmes além do que a gente vê por aí, mas se alguém recomenda eu assisto de bom grado, tanto que tenho a "listinha" de uns 200 e poucos filmes pra ver. Música - aí não falta preguiça, na real - é mais ou menos a mesma coisa, e livros então nem se fala. Falar que gosta de Paulo Coelho perto de mim é meio um "Ugh!" na cara automático, ou mesmo tem uns livros que são legais e as pessoas vêm me falar como são bons - e pra mim tem uma diferença grande nisso.

Não consigo de deixar de associar nível crítico a inteligência. Claro que isso varia, tem muita gente inteligente que eu conheço que consegue ser mais de boa, relevar mais coisas... mas eu, não. Me irrito profundamente com novela, por ser uma merda maniqueísta que fica óbvia depois que você leu A Moreninha e Senhora, e filmes que são completamente previsíveis me deixam inquieto, no pior sentido da coisa. Fulo, até. Mas filmes passam do limite. Eu passo os filmes apontando defeitos, xingando coisas e no fim das contas me dá uma sensação de "Que merda, fui ver isso?" que me persegue. E um monte de gente dizendo "Que filme bom!" ou algo do tipo.

Às vezes me dá vontade de sentar, ver qualquer porcaria do Michael Bay e falar que é o melhor filme que vi no ano, que filmes com roteiro previsível do tipo "Michael Douglas é um homem atormentado, mas é acusado de um crime/uma conspiração, salva o dia e no fim prova sua inocência, ficando com a família" é um PUTA filme, que aqueles filmes de terror com adolescentes são bons pra caramba. De não ficar vendo erros, de sentar e curtir, aproveitar a deixa da Marta e sentar, relaxar e gozar. Parece que gente que faz isso é tão mais feliz às vezes que dá inveja.

Vontade de ler uma porcaria qualquer, igual a tantas outras coisas, e falar que o livro é muito bom. Tipo, ler O Código Da Vinci e achar que é espetacular, melhor livro que li em anos e acreditar em cada palavra sobre Maria Madalena, em vez de apontar clichês e mais clichês, como ele é feito para leitor preguiçoso, se apóia em assuntos controversos que vendem - sem tirar o mérito descritivo do Dan Brown. Ou qualquer outro best seller que vai no bonde de livros que de fato são bons e é uma coisa meio angariadora de fundos. Parece que tem gente que fica feliz com isso, e não quer nada mais que isso.

Vontade de conseguir conversar sobre Big Brother e ficar horas no assunto, ao invés de pensar que aquilo é o retrato do zoológico humano, de pessoas se rebaixando por dinheiro, de ver como o espectador claramente adora intriga, fuxico, torcer contra as pessoas mesmo e até dizer que odeia alguém que nunca viu na vida. Pra que falar sobre como tem coisa errada, como resolver alguns problemas, quando dá pra comentar o Paredão? E fazer isso com sorriso, não ser taxado de chato, ou crica.

Não estou, em hipótese alguma, dizendo que todo mundo que vê Big Brother é burro, ou mesmo que ver essas coisas te tornam um completo idiota, longe disso. É só saber o que é visto, que tem coisas pra entretenimento e coisas boas são outros 500. Mas é conseguir fazer todas essas coisas, e não ficar sendo chato, usando a cabeça pra ver como poderia ser bom, ainda que seja instintivo... a coisa ficou confusa, eu sei. Não consegui me expressar bem, mas é ser burro às vezes, e isso é bom.

Por favor, que ninguém se ofenda. Não usei exemplos pontuais, então não precisa vir ofendido achando que é "recadinho". Seja burro e não entenda.


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UPDATE

Acho que, no fim das contas, eu me toquei... não é ser "burro", mas eu queria ter um momento de burrice - que não faz mal a ninguém!! - e poder curtir as coisas mais tranquilo.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Click Click Click Click

Post "deletado".

O conteúdo dele perdeu o sentido, e a situação perdeu completamente o sentido. É, pois é.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Burnham

Lester Burnham: [narrating] It's a great thing when you realize you still have the ability to surprise yourself.

* * *

Beleza Americana é meu filme favorito, ainda ontem eu disse isso. Muita gente, a maioria na verdade, diz que é bom mas nem de longe é o favorito. Bom, é o meu. Ter visto isso com 16 anos e ir morar nos EUA mudou minha perspectiva, sem contar que Lester Burnham (o sempre bom Kevin Spacey) se tornou de certa forma um molde pra mim. Não pela maconha, ou por querer comer a amiga da filha, mas o homem tem as melhores frases que algum filme pode ter. Talvez só Casablanca (que finalmente vi!) tenha diálogos melhores, mas ainda assim... sem contar que o filme em si é visualmente bonito, e a trilha sonora faz milagres - a última cena do filme, por exemplo, quando ele conta o flash da própria vida. Sim, eu choro nela.

Mas hoje eu vi, às 9 da manhã, como essa frase acima é verdadeira. Como é bom perceber que você ainda consegue se surpreender, ainda que o "truque" matinal não seja nenhuma novidade, e me fez ver melhor ainda como eu gosto de andar de ônibus em São Paulo.

Lester e Tati, muito obrigado. Se jogar é impreciso, Pessoa, mas preciso também.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Se juega!


O bonitão aqui do lado, chama-se Fitzwilliam Darcy, ou Mr. Darcy para os íntimos. O nome soa familiar? Então você leu Orgulho e Preconceito, escrito por Jane Austen em 1813, ou então assistiu a uma das milhares de adaptações para filmes ou mesmo TV, como essa com o Colin Firth de 1995, da BBC. Eu particularmente acho o livro um saco, bem como qualquer outra coisa que a Austen escreva, por melhor que ela o faça. É chato!

Enfim, o que tem esse homem de especial? Nada, ao menos pra mim. Mas na trama - olha o spoiler! - ele conhece uma pobre moça, Elizabeth, que tem - é claro - mais virtudes que a própria Madre Teresa, além de ser bonita e tudibom. Daí, entre vais e vens, ele se recusa a dançar com ela, depois propõe casamento, ela rejeita, o tempo passa, o rapaz muda e todo mundo fica feliz da vida, casamentos acontecem e bebês são encomendados. Nada muito diferente de uma novela das 8, mas que coisa! Claro que a primeira coisa que se nota no livro sobre Mr. Darcy é o orgulho dele, uma vez que ele é rico e foi educado pelos pais para ser assim mesmo, estar acima da "ralé", ainda que com seus iguais ele se mostre um verdadeiro gentleman. Coisas de sociedade inglesa.

O que me vem sobre o livro é justamente a mudança dele. Afinal de contas, o homem foi rejeitado por uma mulher "mais baixa", e ainda assim ele não desiste, por mais humilhante que tenha sido a rejeição, que no fim das contas é uma coisa normal, ao menos nos dias de hoje. Mas a verdade é que ele se apaixona por Elizabeth, se sente atraído pela esperteza da moça e pelos olhos expressivos que ela tem, e por isso passa por cima de muitas coisas para poder ficar com ela, como por exemplo da própria sociedade e dos seus preconceitos, mas acima de tudo do seu próprio orgulho. Quem iria atrás da pessoa que o/a rejeitou, dando um jeito de consertar as coisas e engolindo o tal orgulho?

Claro que Mr. Darcy faz isso, porque ele é um fofo - ainda que arrogante a princípio - e porque a Jane Austen é chata e adora isso. Mas podemos nós fazer a mesma coisa?

"Veja bem", quantas vezes ou mesmo quantas pessoas não ficaram a ver navios porque por algum motivo ficaram de birra, ou com "orgulho ferido", por causa de uma pessoa que talvez tenha cometido um erro? Falo mesmo de gente que por vezes toma um pé na bunda, mas não deixa de gostar, e por isso se recusa a fazer qualquer coisa pra salvar a relação. Ou mesmo de gente que deixa tudo ir por água abaixo quando o parceiro ou mesmo um amigo comete algum erro, mas é incapaz de chegar e mostrar claramente isso e tomar alguma atitude, porque não são todas as pessoas que têm a capacidade de ver a cagada que fizeram e tentar arrumar, até porque muitas vezes elas simplesmente não têm coragem, se sentem envergonhadas - como no caso do pé na bunda. Se isso fica claro, é a hora de se jogar, dar a cara a tapa, porque ninguém nunca chegou muito longe ficando parado, esperando que tudo se resolva numa solução deus ex machina, que venha do céu.

Lá pelos meus 16 anos, quando morava nos EUA, tomei uma decisão que mudou minha vida, e vem bem a calhar. Duas noites sem dormir at all me mostraram o peso que isso pode ter, e quantas chances perdemos de fazermos coisas, pra depois nos lamentarmos no "ah, se eu tivesse...", até porque o orgulho desaparece quando nos damos conta disso. Aí é fácil falar que, se pudesse voltar no tempo, daria a cara a tapa, faria Deus e o diabo pra arrumar as coisas, ia "se humilhar", que é uma tremenda idiotice. Quem falou que demonstrar sentimentos ou mesmo lutar por aquilo que se quer, seja uma amizade ou mesmo um romance, é se humilhar? Se for isso, já fui humilhado algumas vezes e disso, sim, eu sinto orgulho. Muito, por sinal. Aqueles dois dias me fizeram ver que nunca mais eu ia me arrepender por não ter feito, mas sim por ter feito. A menos que seja um filho, é um pensamento geralmente bom, e só me trouxe coisas boas.

O orkut, sempre ele, tem uma comunidade chamada "Libera o mosh!", que fala justamente disso de pessoas - no caso, mulheres em especial - que não ficam cheias de nhé-nhé-nhé e vão atrás do que querem. Isso não quer dizer que não devemos ter amor-próprio, porque orgulho é diferente e muito disso; só atrapalha, e já deve ter levado um tanto de gente pra encontrar o Criador porque o "orgulho foi ferido", por coisas completamente idiotas. O caso, minha gente, é se jogar mesmo, sem medo de ser feliz (não, não é por causa do Zezé di Camargo & Luciano que digo isso) porque voltar atrás depois não dá.

É claro que a própria Elizabeth teve de engolir o seu orgulho, porque não é só uma questão de dar a cara a tapa, mas sim de saber reconhecer que as pessoas erram, como o próprio Mr. Darcy, que pagou a língua depois. Alguém fez uma besteira? Por que não dar outra chance? Tanta gente se prende a um medo de que a história se repita que não vê que as pessoas têm capacidade de mudar, e às vezes só na porrada vão entender. Mas entendem, e daí lá vem o nosso - aliás, não "nosso", porque eu acredito que aprendi a passar por cima de muita coisa, ainda que tarde em alguns casos - orgulho dizer pra não aceitar, e fazer cu doce mesmo, querendo que a pessoa rasteje pra que possamos nos sentir bem. Mulher tem muito disso, fato. Não ligo de rastejar um pouco, especialmente se eu tiver errado, mas a outra pessoa tem que saber que tem limite, e isso não resolve nada.

O "se jogar" resolve bem mais, é fato. Mr. Darcy se jogou; Elizabeth se jogou. Eu me joguei. E você, porque não se juega? Afinal de contas, nessas horas são os audazes que levam as batatas.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Obras


Esse sou eu, muito prazer. Atualmente, errando mais do que acertando, me descobrindo. Desculpe-nos pelo transtorno.