quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Cântico XIII

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

-- Cecília Meireles

* * *

Eventualmente, sento com calma e escrevo um post maluco sobre sonhos. Tive um outro dia que prova que minha sina, além de sonhos sem pé nem cabeça, é a de sempre - sem tirar nem pôr - que vem coisa ruim vem a escola junto. Afe!

E a Cecília manja. Fato!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Is It Any Wonder?

Não poderia ter tirado as palavras da minha boca de maneira melhor, Tom... e isso me assusta. É pra mim? [2]

* * *

IS IT ANY WONDER?
-- Keane

I.. I always thought that I knew
I'd always have the right to
be living in the kingdom of the good and true and so on
But now I think I was wrong
and you were laughing along
And now I look a fool for thinking you were on...

My side,
Is it any wonder I'm tired?
Is it any wonder that I feel uptight?
Is it any wonder I don't know what's right?

Sometimes it's hard to know where I stand,
It's hard to know where I am,
Well maybe it's a puzzle I don't understand.
Sometimes I get the feeling that I'm
stranded in the wrong time
where love is just a lyric in a children's rhyme, a soundbite

Is it any wonder I'm tired?
Is it any wonder that I feel uptight?
Is it any wonder I don't know what's right?
Oh, these days, after all the misery made,
Is it any wonder that I feel afraid?
Is it any wonder that I feel betrayed?

Nothing left inside this old cathedral,
just the sad, lonely spires,
How do you make it right?

Oh, but you try,
Is it any wonder I'm tired?
Is it any wonder that I feel uptight?
Is it any wonder I don't know what's right?
Oh, these days, after all the misery made,
Is it any wonder that I feel afraid?
Is it any wonder that I feel betrayed?

domingo, 12 de agosto de 2007

O Conto Da Ilha Desconhecida

Não sou de fazer isso, mas esse vale a pena... teatro bom, barato (R$10,00 a meia, para todos) e literário, ainda mais de um livro que poucos conhecem. Saramago causa medo só de ser pronunciado, mas O Conto Da Ilha Desconhecida, um conto, é bom e fácil de ler. Imperdível! E ver uma adaptação tão competente e simples, gostosa, num teatro pequeno, que nos coloca pertíssimo dos atores num cenário simples e tão bem aproveitado, sem restringir o espectador, faz valer mais a pena ainda. Nem demorado é (pouco mais de uma hora)!

Programão, recomendo a todos! Vai dar mais vontade ainda de reler o livro, e pode mostrar bem para algumas pessoas como nossas "ilhas" estão mais perto do que imaginamos. Como sempre estão.

* * *

(do site Guia da Semana)

"O Conto Da Ilha Desconhecida possui a idéia de um espaço-tempo distante, que abriga os desejos humanos e representa a vitória da imaginação e da criatividade sobre as verdades estabelecidas. Um homem pede ao rei um barco para ir em busca de uma Ilha Desconhecida.

O espetáculo da companhia Pé na Porta é uma parábola sobre a necessidade humana de dar sentido à vida, por meio da realização dos sonhos pessoais, por mais impossíveis que sejam."

Local: Teatro Fábrica São Paulo - Sala 1
Data(s): 4 de agosto a 25 de novembro.
Horário(s): Sábado, 17h; domingo, 16h.

domingo, 29 de julho de 2007

Seja estúpido!


"Honestly, if you're not willing to sound stupid you don't deserve to be in love."

A frase dita por Amanda Peet, no filme "De Repente É Amor" (em inglês, "A Lot Like Love"), diz bem qual a sensação de se estar apaixonado... não apenas soar bobo, mas SER bobo. Ser tonto, se deixar levar, ter sorrisos bobos que ninguém explica. Achar que tudo tem mais graça do que elas realmente têm, e se ninguém entende, paciência. Não são todos que têm a sorte de se encontrarem em tal estado de espírito. Tudo bem que cantar Bon Jovi super desafinado não é exatamente algo que eu faria, mas vale a intenção, não é Ashton?

Ou seja: não sinta vergonha, se jogue, entre na coisa. Afinal de contas, a gente nunca vai saber se é a coisa certa se não tenta, e tem como tentar sem ir a fundo? Drummond mesmo falou sobre isso ("A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."), ainda que não fosse sobre exatamente a mesma coisa, mas se pensarmos, é bem por aí... ir a fundo pode ser o caminho para a dor, mas se correr esse risco além de necessário, vale a pena. Poucas situações nos dão a oportunidade de fazermos tudo que temos vontade e ainda assim gostar disso, nos sentirmos bem, sem nos importarmos com as reações alheias.

Tanta gente se preocupa com o que os outros vão dizer, mas numa relação assim vale a pena manter em mente que são duas pessoas, e mais ninguém. O famoso "nós dois e o resto do mundo", que passa a ser verdade à medida que nos dedicamos mais e mais a esse mundinho particular e bobo que é o de quem está com o coraçãozinho palpitando por um outro alguém. Se você acha que merece amar alguém, estar apaixonado, não se reprima, afinal são só você e ele(a).

Seja estúpido(a), e se esforce para garantir que seja o tanto quanto conseguir. Eu faço a minha parte, e às vezes consigo.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

JJ 3054

O que mais vai ser preciso acontecer até que seja feito algo pra acabar com tudo isso, essa crise toda? A verdade é que dói viver num país onde é preciso ver mais de 180 pessoas perderem suas vidas pra que um aeroporto cheio de problemas pare de causar riscos. Isso SE algo acontecer.

Dói saber que muitas pessoas que voltavam pra casa nunca o fizeram e, pior, é pensar que aqueles que esperavam por elas não mais poderão abraçá-las e beijá-las. Apenas chorar seus mortos, e entrarem em eternas brigas por um mínimo de justiça.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Au Paris...




ai, ai

Regarder le Hôtel de Ville te fait l'aimer d'avantage, mais quelque chose manque.

Et maintenant, 4.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Enquanto isso, em Bruxelas...

Festas de faculdade são a mesma coisa em qualquer lugar, mas por aqui os copos de cerveja saem voando e frequentemente acertam alguns coitados mais desavisados. Não que isso importe muito, mas acertam. E a gente entra na onda, arremessa e toma umas, na boca mesmo ou na cachola. Outra coisa é você descobrir que suas habilidades com o francês ficam incrivelmente melhores depois de beber, e mesmo o tal de beijo com que os homens se saudam aqui vira uma coisa normal.

Um sofá pequeno pode ser um problema, mas se tem um chão do lado as coisas se resolvem.

Algo em torno de 1000 tipos de cerveja no bar levam a escolhas mais complicadas do que a cueca com que você vai passar o dia. E sem a bendita uruguaia no fim, ressaca se torna uma coisa de outros carnavais, literalmente.

Muito mais do que cerveja, o Reino Unido funciona como um verdadeiro embelezador de mulheres, e imagino que, da mesma forma, de homens. Gosh!

E agora chegou a hora de ser feliz. 70 dias ficaram pra trás.

sábado, 16 de junho de 2007

"Hello, stranger"

Quem muitas vezes já não se deparou pensando demais em alguém que nem conhece? Se empolgando por ouvir aquele barulho do MSN quando o contato entra, e você nunca viu o sujeito na vida? Ou fazendo planos, uns mais longe que os outros, com pessoas que nem mesmo entraram de fato em nossas vidas, mas que estão ali, esperando a chance de dar um "oi"? Em outras palavras: quem nunca se interessou, de uma forma ou de outra, por estranhos?

Claro que, quando encontramos alguém pela primeira vez, seja na balada, seja na casa de algum conhecido, esse alguém é, de fato, um(a) estranho(a). Mas, apesar disso, muitas vezes você vê de longe, fica de olho e se sente interessado. Regras da atração, normal, e o mais legal é quando a pessoa olha de volta, fica de olho... daí você vai conversar, com um xaveco melhor do que o do chocolate, mas ouve um "Você tava me olhando, perdeu alguma coisa?" com um tom claramente não-amigável. Toco! Mas eu falo de, por exemplo, MSN ou orkut, por mais que alguns achem que essas coisas são de nerd ou algo menos educado. Deus me livre de conhecer alguém pela internet!

Mas não precisa ser nesse ponto. Amigos, por exemplo. Às portas de uma viagem, conversando com pessoas de outros países, que falam outras línguas, por e-mail ou por MSN, como explicar aquele formigamento e animação só de ver que o cara mandou um e-mail legal, ou mesmo que entrou no MSN? E o papo flui como se fossem velhos amigos, segredos compartilhados, besteiras são ditas, risadas dadas e, principalmente, planos traçados (e até casamento vale nisso, se o padrinho deixar, é claro). De repente, você se pega andando na rua e pensando que o Fulano gostaria daquilo, ou mesmo que você morreria pra levar a Cicrana a tal lugar, numa convicção de quem tem anos de amizade; dá até vontade de ligar na hora, e nesses momentos eu olho pra cima e dou graças aos céus pelo SMS. Obrigado, Senhor! Minha conta agradece.

E qual o problema com isso? Nenhum, nem mesmo se o caso for de passar horas na frente do PC só porque aquela pessoa pode entrar, ou correr pra ver os e-mails seja a hora ou o lugar que for, numa ânsia infantil. E tá interessado(a) mesmo? Ótimo, não se reprima, deixe a coisa sair. Numas dessas, mesmo que não aconteça a paixão (como diriam Leandro & Leonardo), uma amizade muito bacana pode sair dali. E pro inferno com quem tem preconceito contra esse tipo de coisa, como eu já disse. O mundo muda, e pra que negar o que o bendito digital hoje é parte da nossa vida?

Pior, eu diria, é poder cantar algo como em "We Might As Well Be Strangers", do Keane. Esse tipo de estranho, sim, deve ser evitado a todos os custos:

"I don't know your thoughts these days
We're strangers in, an empty space
I don't understand your heart
It's easier, to be apart"

Me chame de sonhador, ou romântico (e, por favor, não vá ver isso como um apaixonado, vai), mas eu gosto mais da minha concepção da coisa toda. Não vejo pessoas como estranhos, ou estranhas. São amigos e amigas que ainda não tive o prazer de encontrar. E se você concorda não se iniba de dizer, com um sorriso sincero, um sonoro "Hello, stranger". Pode operar pequenos e verdadeiros milagres, como já pude viver.

domingo, 10 de junho de 2007

Pérolas

Coisas que se diz por aí que não dá pra acreditar.

(no mesmo bar da outra)
- Oi.
- Oi.
- Sabe que você é um doce?
- Ah é?
- É... e se você for tão doce por dentro quanto é por fora, se for esse verdadeiro docinho de côco, então você é um prestígio. Mas se, por outro lado, você for uma menina meiga, praticamente um caldinho doce por dentro, então é uma sensação. Já eu posso nem ser tão bonito, mas posso te garantir que se você provar de um beijo meu, vai querer bis.
- *risos*

(e não é que cola?)

domingo, 3 de junho de 2007

Papo de salão

Por que será que algumas pessoas têm tantos "problemas" em aceitar que nós, homens e mulheres, podemos gostar tanto uns dos outros sem qualquer sugestão, indicação, inclinação ou qualquer coisa que seja sexual? Esses dias ainda conversava sobre isso, mas num sentido mais amplo, e tenho uns dois ou três casos que são mais fixos no papo todo, porque muita gente duvida que a empatia foi tão grande, e ficou nisso mesmo. Como assim? Não rolou nada? Ah, claro... e eu sou o bozo.

Chega a ser bem chato isso, ainda mais quando você é homem e faz um curso como Letras: sala de 63 pessoas, 7 homens, e pelo menos dois deles poderiam ser pais da maior parte dos alunos. Acaba que a gente conhece mais mulher, e daí tem que aguentar esse tipo de coisa o tempo todo. Dar aula de inglês não ajuda, e ainda de quebra vem a fama de viado de carona (se bem que essa ainda gera situações engraçadas). Letras e inglês? Meio caminho andado, e se tiver mais amigas mulheres... opa, esse aí belisca o azuleijo. Certeza.

Mas, é claro, existe outra opção: ser o pegador. Ter feito rapa no orkut e todas as mensagens terem algum tipo de duplo sentido, e na faculdade rodar por todas as línguas (hã? hã?). Daí você fala que não tem nada, mas qualquer abraço dado ou mesmo uma brincadeira boba dá margem a todo tipo de comentário e "achismo". Porque homens e mulheres não podem ser simplesmente amigos. Amigo de mulher é cabelereiro. Às vezes me vem que isso é bastante fruto de uma maldita postura de uma grande parte dos homens, que não conseguem simplesmente deixar de pensarem com a cabeça de baixo (você tem toda a razão, Roger: somos monstros de duas cabeças) e ser legal sem querer nada em troca. E homem "pegador" tem por aí a rodo, sendo que ele é gostosão; a mulher é vagabunda, galinha ou o que for.

Por outro lado, existe o famoso PA, ou fuck buddy, se você quiser ser mais fino(a). Algumas pessoas levam isso numa boa, mas fazer disso uma regra é demais. E o pior é que não são só os homens que acham isso de amizade, porque tem muita mulher que se recusa a acreditar diante de todas as evidências. Culpa nossa, ou do nosso mundinho tão sensual e apelativo, da supervalorização de sexo (ah, Franz Ferdinand...) ou mesmo da carência de amigos e pessoas pra nos ouvir pela qual passamos todos. Há gente que separa bem e sabe das incidências, mas outros acham que falar um "oi" mais animado é um "vem cá que eu quero te comer", e tomar um café é meio caminho andado pro motel.

Que dizer então do CouchSurfing, pra quem conhece? Ou do HC, que seja. Que só tem a perder quem não sabe separar uma coisa da outra, ou não acredita nesse tipo de amizade sincera.
Et on se trouve plus tard, Mélanie! =)